Quando os professores fazem pior figura que os alunos a assistir a palestras.
Estamos na universidade. Constantemente nos dizem (já lá vão três anos - o medo do tempo que passa sem se saber bem como) que já somos todos crescidinhos, que estamos nesta estimadíssima instituição por nossa livre e espontânea vontade e que, como tal, nos devemos comportar adequadamente. Tudo bem, nada contra. Acho um bom dogma. Na verdade, viemos para o ensino superior porque quisemos (em maior ou menor grau, isso já é discutível e não interessa para este post), e é perfeitamente normal que devamos ter a postura adequada de quem está com gosto.
Sim, confesso que não vou a todas as aulas com o maior dos entusiasmos. Confesso que não presto atenção em todas as aulas. Mas afinal sou só humana, e mesmo quando não presto atenção faço os possíveis para não prestar atenção comigo mesma, e não incomodar quer quem está a dar a aula, quer quem a quer ouvir (a solução ideal é mesmo faltar, mas quando as faltas não são possíveis...). Não gosto quando tenho de me estar a esforçar para ouvir por cima de um burburinho de pessoas que não querem estar presentes e só lá estão para encher. Não gosto, nunca gostei. A porta da rua é a serventia da casa, e como uma amiga minha diz. "muito ajuda quem não estorva". Por isso fico muito chateada quando vou a uma palestra ou a uma aula e tenho imensa gente a conversar. Quer dizer, não custa muito ficar calado, e ter uma postura minimamente decente. Mas pronto, somos jovens, apesar de já sermos adultos.
Quando os adultos que já é suposto serem adultos à muito mais tempo, têm faltas de respeito destas é que me salta a tampa. E não é a primeira nem a segunda vez. Parece que por cada vez que nos dizem que devemos agir como os adultos que somos se esquecem de dar o exemplo. E conversam. Não prestam atenção a quem está a falar, que veio de propósito para partilhar o trabalho. E no fim fazem comentários genéricos e insípidos que a servir para alguma coisa, servem para demonstrar o quão não atentos estiveram à palestra. São estes os exemplos que tempos, de gente supostamente culta e inteligente. Nem quero pensar no que os incultos burros devem ser. Bem educados, de certeza.
Repete-se a lição: "muito ajuda quem não estorva" e quem já cá anda à mais tempo já a devia saber de cor.
Isto sim é uma lição de valores...
ResponderEliminarPara além de não poder concordar mais com isto, deixo aqui a minha parte de contribuição para esta novela.
As minhas aulas durante a semana são algo complicadas quando se precisa de certas horas seguidas para marcar estágio, concordante com time-points de 24h... É horrível, porque ou tenho tempo de manhã, ou à hora de almoço, ou à tarde; no entanto nunca na mesma hora dois/três dias seguidos.
Planeia uma pessoa, às horas a que se pode - nem que seja uma hora agora e outra depois da aula - com uma semana de antecedência para que toda a gente saiba.
Já não pela primeira vez, marco horas para cedo de manhã (08h00 ou 09h00) por ser a única hora a que posso ir ao laboratório antes das aulas, e, como todas as vezes anteriores, bato com o nariz na porta porque não está ninguém lá... Nem co-orientador, nem outro investigador qualquer! E isto é assim até depois das 09h30.
Até agora tenho calado e andado, porque tenho tido a sorte de me despachar a tempo de continuar o dia com normalidade; mas ontem, estive 40 minutos à espera que alguém chegasse, apenas para me abrir a porta, e tive de faltar à aula para completar o que precisava de fazer... Isto não é divertido, principalmente quando as aulas são apresentações de trabalhos que contam como matéria dada e saem no exame que é 100% da nota.
Dizem-me que eu tenho de me comprometer para fazer o estágio: tudo bem, eu faço isso - qualquer tempo livre é tempo de estágio - mas peço que também se comprometam, se querem ficar a dormir até mais tarde pelo menos deixem-me a chave para entrar!
Isso é tão triste como hilariante. Nem te conto a saga dos "estágios" daqui (talvez um dia lhes dedique um post, que há pano para mangas). Mas tem algumas bases de semelhança, apesar das diferenças. Eu não sei, se calhar dá-lhes gozo gozar com os alunos, se calhar gostam mesmo de fazer as pessoas passar um mau bocado. Mas a verdade é que na universidade o aluno está sempre lixado.
EliminarNão acho que ir a uma, duas ou a todas as aulas seja (de todo) sinónimo de ser mau, médio ou bom aluno. No final de contas, 'cada um é como qual'. Por isso, não suporto muito bem os pseudo-moralistas que vêm com lições de moral do tipo 'ah e tal, não foste à aula outra vez? Valha-me deus.'. Mas, de facto, se for para ir a uma aula ou a uma palestra então que seja para (pelo menos tentar!) respeitar. Mas pronto, são esses que dizem 'adultos'.
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EliminarConcordo :) Conheço muito boa gente que independentemente de ir a todas as aulas não se safa e gente que quase não põe os pés no auditório (nas em que se pode faltar) e faz as coisas na maior. Foi como disse, prefiro bem mais faltar a uma aula, do que estar a ir para fazer frete. Mas nesta universidade, temos faltas a aulas teóricas (não em todas as cadeiras, mas na maioria) o que torna o faltar algo difícil :3 Mas quando são palestras, que nem sequer são de assistência obrigatória, vai quem quer. E se vão, ao menos é para estar em condições xD
EliminarPrincipalmente quando são professores, não é?