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quarta-feira, 22 de maio de 2013

quando os valores ficam como que trocados

Quando os professores fazem pior figura que os alunos a assistir a palestras. 

Estamos na universidade. Constantemente nos dizem (já lá vão três anos - o medo do tempo que passa sem se saber bem como) que já somos todos crescidinhos, que estamos nesta estimadíssima instituição por nossa livre e espontânea vontade e que, como tal, nos devemos comportar adequadamente. Tudo bem, nada contra. Acho um bom dogma. Na verdade, viemos para o ensino superior porque quisemos (em maior ou menor grau, isso já é discutível e não interessa para este post), e é perfeitamente normal que devamos ter a postura adequada de quem está com gosto. 

Sim, confesso que não vou a todas as aulas com o maior dos entusiasmos. Confesso que não presto atenção em todas as aulas. Mas afinal sou só humana, e mesmo quando não presto atenção faço os possíveis para não prestar atenção comigo mesma, e não incomodar quer quem está a dar a aula, quer quem a quer ouvir (a solução ideal é mesmo faltar, mas quando as faltas não são possíveis...). Não gosto quando tenho de me estar a esforçar para ouvir por cima de um burburinho de pessoas que não querem estar presentes e só lá estão para encher. Não gosto, nunca gostei. A porta da rua é a serventia da casa, e como uma amiga minha diz. "muito ajuda quem não estorva". Por isso fico muito chateada quando vou a uma palestra ou a uma aula e tenho imensa gente a conversar. Quer dizer, não custa muito ficar calado, e ter uma postura minimamente decente. Mas pronto, somos jovens, apesar de já sermos adultos.

Quando os adultos que já é suposto serem adultos à muito mais tempo, têm faltas de respeito destas é que me salta a tampa. E não é a primeira nem a segunda vez. Parece que por cada vez que nos dizem que devemos agir como os adultos que somos se esquecem de dar o exemplo. E conversam. Não prestam atenção a quem está a falar, que veio de propósito para partilhar o trabalho. E no fim fazem comentários genéricos e insípidos que a servir para alguma coisa, servem para demonstrar o quão não atentos estiveram à palestra. São estes os exemplos que tempos, de gente supostamente culta e inteligente. Nem quero pensar no que os incultos burros devem ser. Bem educados, de certeza.

Repete-se a lição: "muito ajuda quem não estorva" e quem já cá anda à mais tempo já a devia saber de cor.